Reconhecimento do erro

Eu ainda vou trabalhar os prólogos porque há muita coisa para contar. Mas ainda tenho muita coisa no meu dia-a-dia que me leva a desesperar e que me faz descarrilar. É como se andasse numa montanha-russa e cada vez que faço um 360º acabo por desdizer o que já tinha dito porque me apercebo de mais alguma coisa que me foi feita.

Não sei bem em que dia foi mas deve ter sido no início desta semana que passou, confrontei a minha ex-mulher com uma inevitabilidade. Não é possível vivermos os 2 debaixo do mesmo tecto e ainda falta muito tempo para eu ter casa, que só deve estar disponível em Abril.
Acontece que eu todos os dias descubro mais pormenores sórdidos do que ela me andou a fazer e todos os dias tenho que mamar ou com chamadinhas para o namorado, ou com a saidinha para ir namorar ou com as mensagenzinhas no facebook messenger. Expliquei-lhe que estou a um passo de dar em louco com esta merda toda que ela trouxe para a nossa vida e disse-lhe que podia ao menos reconhecer a merda que andou a fazer e pedir-me desculpa.

Devemos ter estado a discutir pelo menos durante meia hora até que lhe disse que não vejo forma de continuarmos todos debaixo do mesmo tecto. Por isso, arranjou-se e disse que se ia embora. Como arma de arremesso ainda me disse que ia para o Parque Verde, que o namorado tem lá casa. O Parque Verde é só o sítio onde eu andei mais à procura de casa por querer arranjar um sítio para viver junto da natureza. Ela sabia que eu andava à procura de casa por lá, inclusivamente foi lá comigo ver 1 casa e aquilo meteu-me nojo que ela soubesse que eu tinha andado a ver de casa para mim no sítio onde o FdP que ela arranjou para me substituir e que nos rebentou com a vida também tinha casa.

Ia sendo o fim do mundo em cuecas mesmo ao pé da entrada da porta porque eu estava de cabeça perdida com as manipulações e ocultações todas que ela sempre fez e que continuava a fazer. De repente disse-me que era mentira, que ele não tem lá casa. O que ela gosta é de ver o circo a arder, de regar com gasolina um gajo que ela sabe que tem um pavio muito curto.

E perguntei-lhe mais uma vez como é que era possível ela ter feito o que fez e no espaço de 2 meses e meio nunca me ter sequer pedido desculpa. Não ter mostrado um pingo de respeito ou compaixão por quem sempre a amou e nunca a traiu. A discussão foi acesa. Extremamente acesa. Pressionei-a como se a tivesse metido numa panela de pressão, chamei ao FdP que ela arranjou os nomes todos do mundo e demonstrei-lhe porque é que devia ter muito cuidado no futuro com ele. E de repente, saído do nada, ali estava à minha frente a minha verdadeira mulher. Lavada em lágrimas e a pedir-me desculpa duma forma muito sentida pelo que me tinha feito. A comportar-se como o ser humano lindo que eu conheci há muitos anos atrás e por quem tenho vivido apaixonado 2 terços da minha vida. Ela estava extremamente emocionada. Eu emocionei-me. Agarrei-me a ela e chorei no seu ombro.
Estivemos ali os dois a chorar por menos de 1 minuto. Afastou-se de mim e foi-se sentar na sala. Deitou-se no sofá e começou a deslizar para o lado direito como se se fosse deitar. Havia qualquer coisa que estava mal. Estava a chorar mas tinha os olhos fechados e não me respondia. Começou a deslizar em direcção ao chão e tive que segurá-la.

Liguei o 112, chamei o Sr. N, estiveram a falar com ela e lá nos disseram que aparentemente devia ter sido uma crise de ansiedade.

Logicamente que já não se foi embora e fui pô-la na cama que é onde ela tem passado as noites. Eu tenho dormido no sofá desde que percebi que o amigo dela tem sido o seu amante.

Na manhã seguinte ainda estava atordoada mas a minha mulher já tinha voltado a desaparecer.

Foi absolutamente arrebatador perceber que ali dentro daquela cabeça jaz a mulher que eu amei e que terei que enterrar o mais depressa possível. É tal e qual como se tivesse morrido vítima dum acidente ou duma doença: irei amá-la para todo o sempre. E serei feliz. Cheio de orgulho por ter tido o privilégio de viver com a mulher mais pura e mais linda do universo.

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