Prólogo I

Olá audiência. Ou seja, olá amor da minha vida.
Se estiver alguém a ler isto, o mais provável é que sejas tu. Tu ou um John Doe ou uma Jane Doe da vida que sem querer se tenham enganado ao escrever algo no motor de busca.

Vamos lá tentar explicar isto da melhor forma possível.

Sou filho dum casal da classe média pobre, nascido no ano da revolução dos cravos, que cresceu num bairro da periferia de Lisboa à entrada de Odivelas chamado Sr. Roubado. Nos anos 80 ninguém sabia o que era ou onde era o Sr. Roubado. Era um bairro com 3 ruas e menos de 100 metros. Vá, tinha 3 cafés, uma papelaria, uma padaria e um restaurante. Acho que algumas pessoas só sabiam da sua existência porque ouviam falar duma paragem de autocarro que tinha esse nome.

A minha infância foi muito feliz. Recordo-me muito bem de todos os meus amiguinhos e amiguinhas lá da rua, e do colégio onde andei.
Naqueles tempos os miúdos podiam brincar na rua sozinhos por eles próprios, e como a rua onde eu morava era estreita e não tinha saída sem ser pela própria entrada os carros que por ali passavam eram principalmente de quem ali morava e faziam-no devagar para poderem procurar um local para estacionar (que não era nada fácil). Isso permitia-nos brincar no meio da estrada se assim quiséssemos, fora que ainda havia um enorme ringue com muito espaço para jogar à bola, andar de bicicleta, o que fosse.

Os meus pais sempre tiveram uma relação muito conturbada. Desde cedo percebi que aquilo não era maneira de se viver. As discussões sucediam-se umas atrás das outras numa casa com 50-60m2 de 2 assoalhadas só com um quarto e uma sala.
(nota: a minha fofa leu este parágrafo e acha que a casa não tinha sequer 50m2. É possível que tenha razão. Se pensarmos num quarto com 12m2, numa sala com outros 12m2, num corredor com 4m2, num WC com 5m2, numa cozinha com 9m2 e numa marquise com 3m2, acho que andamos à volta de 45m2. Por isso tenho que lhe dar razão, que é uma coisa que ela tem com muita frequência.)

Raros eram os momentos de harmonia e mesmo esses tinham um travo a cessar-fogo de curta duração, normalmente reservados apenas para o meu aniversário ou para o Natal.

O meu pai nasceu no Alentejo, cedo perdeu o seu pai e acabou por vir parar a Odivelas muito novo. Talvez com 13 anos ou à volta disso. Era o filho mais velho dum casal que tinha uma padaria em Vila Viçosa. A minha avó sofreu horrores às mãos do meu avô que tinha um problema grave com o álcool. Bebia e batia-lhe, às vezes diante dos filhos. A minha avó sempre me disse que ele era muito carinhoso com ela quando estava sóbrio e que era a bebida que o transformava.
Morreu de cirrose e a minha avó veio para Lisboa à procura de trabalho porque com a morte do meu avô tinha ficado sem a padaria.
Arranjou emprego em Lisboa em casa duma família rica, instalou-se em Odivelas numa cave pequenina que encontrou para alugar e escreveu à mãe dela dizendo-lhe que o resto da família (a minha bisavó, os irmãos/irmãs da minha avó e o meu pai e a irmã dele) se viessem juntar a ela em busca dum futuro que já não existia no sítio onde até aí tinham morado. "Treze pessoas e um cão" é a história que um tio que casou com a irmã do meu pai me costuma contar quando fala desses tempos. Numa cave com 3 ou 4 assoalhadas pequeninas...nem sei bem quantas eram porque nunca visitei essa casa mas sei que por ali não há casas maiores que 4 assoalhadas.

A minha mãe nasceu em Lisboa e a necessidade de arranjar casa barata fez com que os meus avós tivessem comprado alugado casa no que naquela altura era um bairro muito distante da grande Lisboa chamado de Bairro dos Cágados. Para ir trabalhar para Lisboa era preciso ir a pé de Odivelas até ao Lumiar, tendo que subir a Calçada de Carriche a pé para aí poder apanhar transporte. Ao final do dia já era a descer. Mas estamos a falar de pelo menos 1 hora para cada lado a pé, quer fizesse chuva quer fizesse sol.

Conheceram-se muito novos, os meus pais. A minha mãe tinha 13 anos e o meu pai pouco mais de 15. Parece que foi por via do meu tio Mário, irmão da minha mãe que convidou o meu pai para ir almoçar lá a casa. Reza a história que foi a minha avó que engraçou com o meu pai e ficou dado o mote para o namoro que aí viria.

Vou encurtar a história. A minha mãe em toda a sua vida só teve um namorado, o meu pai. Um dia o meu pai pediu-a em casamento e pelo que a minha mãe me diz a minha avó tê-la-á obrigado a casar-se contra a sua vontade.
Ingrediente magnífico para um casamento: a minha mãe nunca amou o meu pai.

Ou seja, já não é fácil imaginar como se terão conseguido casar, muito menos se consegue compreender como é que conseguiram ter-me quando o meu pai finalmente voltou do ultramar. Não havia amor e davam-se muito mal um com o outro por isso sempre tive a ideia de que para eu ser concebido deve ter sido a roçar a violação...

Já não se davam nada bem mas depois de eu nascer passaram a dar-se ainda pior. O meu pai sempre foi muito mulherengo e contraiu o vício do jogo no convívio com os seus tios com quem tinha vivido quando era mais novo em casa da minha bisavó.
A minha mãe diz-me que era eu recém nascido e o meu pai conseguia derreter o ordenado dos dois em pouco mais duma semana. E para a altura parece que não ganhavam mal...

Ou seja, num seio familiar desajustado e carenciado mas sempre me senti feliz e nunca me faltou amor. Faltou-me sim o meu pai que voltou muitas vezes para casa às 5 da manhã ou pior, vindo sabe-se lá de onde, de ao pé de quem, e de ter estado a fazer o quê...
Lembro-me bem de já ter os meus 13/14 anos e de ficar à janela à espera dele até por volta das 2 ou 3 da manhã porque no dia anterior me tinha prometido que não voltava a chegar tarde e às vezes porque nessa mesma noite tinha telefonado a dizer que estava um pouco atrasado mas que se lembrava do prometido e que não viria tarde.
Nunca o recriminei por mais nada do que fez. Sempre o amei e idolatrei como se fosse um pai perfeito. Tudo lhe perdoei. Mas ainda hoje guardo uma mágoa enorme das noites perdidas à espera dele. Das juras e das mentiras de que não voltaria a entrar em casa de madrugada sem eu saber se ele estava bem.


Com 8 anos o meu pai levou-me ao jardim zoológico e disse-me sem estar propriamente a chorar mas com lágrimas a correr-lhe pelo rosto e com a voz nitidamente embargada que se ia embora e que eu ia ficar a viver só com a minha mãe. Nunca me hei-de esquecer desse dia. Do horror de ver a minha família partir-se. Só já em adulto é que percebi que a minha mãe lhe tinha encontrado fotografias muito comprometedoras com uma jovem e miúdo pequeno, que espero que não seja meu meio-irmão porque o meu pai nunca mo mencionou. Espero que não seja meu irmão porque isso eu nunca desculparia o meu pai, ter-me privado de conhecer um irmão...
Felizmente que como resultado desse episódio o meu pai só esteve fora de casa 2 ou 3 dias. Mas nem isso fez com que a relação entre eles os dois tivesse melhorado, ou que ele tivesse largado o jogo, as saídas nocturnas e a bebida.

Com pouco mais de 13 anos percebi que ia ter que viver de outra forma um dia quando crescesse. Ia pegar nos bons exemplos dos meus pais para tentar melhorá-los e ia pegar nos maus exemplos deles e tentar fazer exactamente o contrário. Tinha que ser. Tudo na vida se pode aproveitar, sejam coisas boas ou sejam coisas más.

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Tive muitas relações platónicas que me partiram o coração e poucas namoradas para mencionar. Quase tudo relações passageiras, algumas que duraram 2 ou 3 meses e outras que duraram 2 ou 3 dias. Não foi por falta de interesse da minha parte. Elas é que simplesmente me achavam pouco interessante.

Vou apenas referir 2 das mais relevantes relações (1 delas nem chegou bem a ser...) que tive na minha adolescência.

Com a ida para o ensino secundário, fui deslocado das escolas de Odivelas para uma escola que tinha acabado de abrir no Lumiar, a ES do Lumiar nº2. No 7º e 8º ano tive umas turmas horríveis. Coisa tipo faca na liga. Mas quando passei para o 9º ano fui colocado numa turma de repetentes cheia de pinta. Eu era o mais novo da sala. Fiquei imediatamente encantado com uma colega que morava ali perto que tinha quase 18 anos. Eu ainda ia fazer 14.

A turma ao início era muito partida, entre os mais velhos e os mais novos. Era difícil encontrar forma de falarmos mais em grupo e conhecermo-nos melhor porque as conversas e os interesses dum ser humano de 14 anos são muito diferentes de outro de 16 anos, já para não falar dos de 17 e 18 anos.
Passaram-se muitos meses até eu e essa linda moça termos a nossa primeira conversa digna desse nome porque eu achava que uma "mulher" que já estava a tirar a carta de condução não ia ter paciência para aturar uma criança de berço como eu. Enganei-me. Falámos pouco mas rapidamente nos percebemos que nos entendíamos muito bem um com o outro. Por isso lá fomos fazendo a nossa marmelada aqui e ali às escondidas para não dar bandeira senão tínhamos que aturar as bocas do resto da turma e se para mim iria ser muito encavacante para ela seria muito pior uma vez que era uma jovem mulher que já não se devia interessar por crianças. Se se descobrisse ia ser o fim do mundo em cuecas...

Contornámos os obstáculos necessários para não expormos os nossos (poucos) encontros e lá fomos namoriscando. Ela estava entre namorados. Aquela coisa que acontece quando se sai dum namoro e ainda não se entrou no namoro seguinte e aparentemente a minha ingenuidade caiu-lhe no goto.
A certa altura deu-me o número de telefone de casa dela para ser mais fácil de combinarmos as nossas saídas. O azar é que eu ligava sempre quando ela não estava em casa e quem me atendia era o irmão que depois lhe dizia que não era secretário dela e que não entendia porque tanto ligava um bezerro ainda por desmamar lá para casa.
Um dia vi o irmão dela de relance com a namorada. Ele era um pouco mais velho que a irmã e seguramente que 30kg mais leve que a sua namorada. Olhei para a minha "namorada" com surpresa e ela respondeu-me "é amor, nem se apercebe que se ela um dia lhe cair em cima ele ainda pode morrer asfixiado.". Eu nunca cheguei a ser apresentado ao jovem mas a partir desse dia fiquei-lhe com estima por saber que é do tipo de homem que se apaixona pelo que está dentro do peito e na mente duma mulher em vez de se apaixonar pelos lindos olhos ou pelo lindo traseiro que ela possa ter.
Um dia essa minha "namorada" convidou-me para ir à tarde a casa dela. Era para vermos um filme. Supostamente os pais dela iam voltar a casa já pela hora de jantar e eu na minha santa inocência achei que era mesmo só para vermos um filme.
Nem me lembro se ela chegou a meter a cassete no vídeo. A coisa já estava a arder quando de repente a mãe dela entrou em casa, estando de volta muito mais cedo do que se estava à espera. Não tinha acontecido nada mas estava mesmo quase a acontecer. Sorte ainda ter as calças vestidas.

A mãe dela fez de conta que não tinha percebido nada mas nós percebemos perfeitamente que ela tinha percebido tudo. Acabei por ficar a passar-lhe uns apontamentos de Inglês como que a justificar a minha presença ali em casa.
A mãe dela achou-me muita graça e no fim até fez uma piadinha quando eu estava a ajudar a minha "namorada" a arrumar umas roupas que a mãe lhe tinha passado a ferro: "Ai tão prendado que ele é! Nunca vi uma camisola tão bem dobrada por um homem. Se eu fosse mais novinha não me escapavas...".
Aquilo dito assim daquela maneira por uma mulher dos seus 40 e tal anos fez-me fugir dali a 7 pés. Mas reconheço que quanto mais tempo foi passando mais fui compreendendo o elogio que me tinha sido feito.

O meu Ferrarizinho, a forma ternurenta como eu a chamava por ela fazer umas rosetas bem vermelhas quando corava, aturou o seu Porschezinho (a que ela arranjou para me chamar) durante uns 2 ou 3 mesitos que foi mais ou menos o tempo que durou o 3º período do 9º ano.

Conforme o tempo foi passando, os meus pais aperceberam-se de que aquilo não era um namoro normal e de que havia qualquer coisa de diferente na tal moça com quem eu falava ao telefone e com quem me encontrava ocasionalmente para ir "estudar". Sorte a minha que só descobriram quem ela era, que tinha acabado de fazer os 18 anos, que já tinha carta de condução e que já ia para a escola no Citroen Visa da mãe no dia em que se realizou a reunião de pais do final de ano na qual ela participou por naquele momento já ser maior de idade e de se representar a ela própria.
A minha mãe saiu da reunião a espumar-se toda por eu ter passado de ano à rasca com 3 negativas uma vez que a prof de poções mágicas, quer dizer, de química levantou a negativa para eu poder passar. Foi sorte. Na realidade no segundo período tinha tido 7 negativas em 9 disciplinas. É para se ver onde andava a minha cabeça...

O meu pai também vinha super irritado, mas não percebi bem se era por eu quase ter chumbado ou se era por ter estado a falar com uma jovem que se apresentou como sendo a namorada do filho numa reunião supostamente só para pais.

Vieram as férias de Verão, ela esteve para fora (ainda não haviam telemóveis) e não nos voltámos a ver porque ambos nos mudámos para escolas diferentes e fomos perdendo o contacto. Um alívio para os meus pais. Curiosamente não sofri muito com esse desgosto porque sempre percebi que ela nunca foi minha namorada. Simplesmente gostava de mim, sabia que eu gostava dela e ambos sabíamos que uma relação entre duas pessoas com uma diferença de idade daquelas não tem estrutura para se chamar de namoro e nunca chega a nada mais que uns beijos e uns amassos.

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Um dia já com uns 15 ou 16 anos, andava lá pela nova escola e reconheci uma jovem vizinha da minha avó materna. Era uma loirinha baixinha muito engraçada e bem disposta que eu já conhecia desde os meus 5 ou 6 anos. Costumávamos lanchar à janela de casa dos nossos respectivos avós que moravam mesmo uns ao lado dos outros. A dona Branca e a minha avó às vezes brincavam que um dia ainda podíamos vir a ser namorados mas eu nem percebia bem o que era isso de namoros. Ainda em crianças tínhamos andado no mesmo colégio primário mas em turmas diferentes porque ela tinha menos 1 ano que eu.

Ou seja, nunca tínhamos falado um com o outro mais que 5 ou 6 palavras seguidas durante cerca de 10 anos até ao dia em que nos cruzámos na secundária. Bateu uma paixão forte e namorámos por 5 meses ou coisa parecida. Um recorde! No ano seguinte fizemos mais uma perninha e namorámos mais 4 meses até ela me dar com um valente par de patins em linha. Fiquei destroçado. Passei esse Natal em casa dos meus tios no Alentejo. Estava por lá a minha prima mais velha que me deu uma força do caraças. É uma super-prima. Conhece-me muito bem apesar do pouco contacto que sempre temos tido. É daquelas pessoas que sabe bem quem eu sou e que sabe bem que o meu problema é o afecto. Aliás, a falta dele...

Sem ela, sem a companhia e a compaixão dela, aquele Inverno teria sido muito mais comprido. Muito mesmo. Tenho-lhe uma estima enorme e vejo nela o espírito matriarca que vi em várias outras mulheres da família do meu pai.

Obrigado do fundo do coração, priminha.

Passei 3 anos difíceis em termos afectivos. Muito chegado aos amigos e pouco às amigas. Terei tido mais 2 ou 3 namoricos, um deles tão fugaz quanto 2 dias.

Fiz 18 anos e fui trabalhar estudando à noite. Trabalhei pouco nesse ano até porque tinha uma disciplina do ano anterior que tinha que fazer durante o dia. Nesse ano ainda tirei a carta.

Nas visitas familiares sempre fui falando muito com a minha avó paterna que me foi dizendo que devia ir mudando um pouco de ares. Que devia tirar o passe e ir a outros sítios passear, conhecer outras pessoas ou visitar amigos e família. Olha, que podia ir a Massamá visitar os meus tios e os meus primos.

Não era má ideia. Já tinha mudado o passe de O12 para L123 para poder ir à praia no verão com os amigos, por isso podia usar a linha de Sintra e ir de comboio ver os meus tios.

Lá escolhi um qualquer dia de fim de Inverno ou de início de Primavera e lá fui ver os meus tios. Estava cheio de saudades dos meus primos, ligeiramente mais novos que eu, e assim que os vi fiquei ali com eles na rua a falar e matar saudades.

Veio a hora de lanche e subimos. Entrei, e fui directo ao WC lavar as mãos que tinha estado a tentar ajudar o meu primo com uma mota que ele lá tinha. Quando entrei na cozinha, dei de caras com a minha tia, a namorada do meu primo, e a mais bela criatura de 4 patas que eu já tinha visto em toda a minha vida.

Não vale a pena dizer que o meu coração bateu mais depressa ou que o meu estômago pareceu ter borboletas porque eu fiquei paralizado da cintura para cima. Devo ter parecido uma múmia paralítica a andar enquanto a minha tia tratava das apresentações. Não tenho palavras nem adjectivos para descrever a minha futura mulher...

Não era nem magra nem gorda. Tinha sensivelmente a minha altura, uns longos cabelos castanhos mas não muito escuros. Uma tez de pele branquinha mas sem ser pálida. Umas bochechinhas redondinhas com umas covinhas lindas. E umas mãos senhores ouvintes...umas mãos perfeitas. Grandes mas delicadas com uns dedinhos rechonchudinhos mas sem serem sapudos. E as unhas??? Meus caros, eu se tivesse visto só as mãos já me tinha apaixonado por ela antes mesmo de cumprimentar a minha tia. Sem contar com aqueles olhinhos azuis maravilhosos e aquele sorriso maroto que ainda hoje me faz parar o coração.
Podem procurar uma vida inteira sem encontrar tão linda criatura.

Pôs-se de pé e....que era aquilo que ela tinha vestido da cintura para baixo?! Ela chamaria àquilo de calças?? Gosto duvidoso, tanto do corte como das cores, se bem que com o tempo aprendi a gostar imenso daquelas calças que me permitiam acariciar-lhe as pernas com facilidade, muita facilidade.
Ainda não vos falei dos avançados-centro, pois não? Pois é, vinha com um excelente conjunto de air-bags frontais (mesmo feitos à minha medida) e com uma cintura digna de realeza.
Tinha um bebé dentro dum carrinho mesmo ao lado dela e mastigava pastilha elástica como se fosse parte da sua profissão.
Tenho noção de que por 2 ou 3 vezes estive para mandar vir um desfibrilhador para sair daquele estado de paragem cardio-respiratória e a minha tia teve que me puxar por um braço para me conseguir tirar da cozinha por 1 minuto para me pedir que parasse de olhar embasbacado para a minha futura mulher com a cara de parvo com que estava sem conseguir produzir mais que 2 palavras em cada frase.

Termino por aqui a primeira parte do prólogo. Terei que criar um segundo prólogo para complementar este e finalmente fechar a perspectiva inicial do "O Corno Manso".

Um beijinho muito especial à minha mais que tudo que em princípio será a única pessoa a ler o meu blog (assim ela queira...), pelo menos até que a minha filha tenha idade para o fazer.

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